Minha vida de aventuras

Cap. 1 – Descobrindo o mundo

Meu nome é Léo e tenho certeza que a minha história vai emocionar você.
Quando eu nasci, pressenti que não teria uma vida normal. Ainda miudinho e sem abrir os olhos, sentia que havia algo muito maior do que aquele espaço que servia de berço para mim e meus 8 irmãos. A mamãe cuidava da gente e não perdia a paciência nem quando nos amontoávamos, passando uns por cima dos outros, para conseguir o melhor lugar para mamar. Nunca fui guloso, por isso, entrava nesse embate alimentício só quando a fome batia muito forte. E, quando isso acontecia, eu dava um jeito – o meu jeito e, se fosse preciso, nem pedia licença; simplesmente retirava quem ocupava o meu lugar preferido. Confesso que às vezes essa manobra não era lá muito gentil, mas meus irmãos não reclamavam... muito. Eles me respeitavam; sabiam que eu tinha uma personalidade forte, por assim dizer.
Aí chegou o dia em que eu abri os olhos e, finalmente, consegui enxergar um pouco do mundo. Uau! Que maravilha! Tinha um lugar imenso sobre a minha cabeça; era alto, muito alto, e com alguma coisa pendurada que às vezes brilhava muito. Eu estava deslumbrado e meu pensamento viajava tentando imaginar o que haveria atrás daquelas quatro paredes de papelão. Isso me encasquetou durante dias. Foi quando percebi que imaginar não bastava, eu precisava descobrir; urgente!
Assim, em uma manhã, mesmo sem me aguentar direito nas próprias pernas, decidi que aquele era ‘o dia’: ia escalar o paredão e pronto!
Foi o que fiz. Determinado a desbravar o mundo, usei uma das minhas irmãs de degrau e dei início à escalada. Minhas garras ainda muito finas não suportaram o meu peso e... caí de volta na caixa. Foi um tombão... Olhei em volta, desapontado e meio dolorido, e percebi que a pontinha de uma das minhas garras não aguentou o esforço e quebrou. Que merda! Isso não poderia ter acontecido.
O resto daquele dia fiquei acabrunhado imaginando que o meu destino era mesmo continuar confinado naquela caixa, rodeado de gatinhos chorosos. Só melhorei quando a mamãe começou a dedicar o seu carinho exclusivamente a mim. Que banho gostoso. Tão gostoso e relaxante que eu caí no sono, esquecendo totalmente – só por hora, viu – o fracasso da minha empreitada.
No dia seguinte acordei decidido: ia tentar outra vez!
Não deve ser tão difícil, eu pensava, a mamãe entra e sai com tanta desenvoltura... tá certo que eu sou pequenininho mas, se ela consegue, eu também vou conseguir. Só preciso usar a cabeça. E passei um tempo maquinando, tentando descobrir a melhor maneira de sair daquela caixa. Quando estava mamando tive uma ideia: vou encostar em uma das laterais, correr, dar um impulso, ‘grudar’ as garras na parede e prosseguir a escalada.
Foi o que fiz. Dei um chega pra lá em um dos meus irmãos, me encostei forte na parede e saí em disparada. Poiiim! Calculei errado; bati a cabeça na parede. Mas, não me dei por vencido. A postos, vamos lá; um, dois, três e... consegui! Todas as minhas garras estão fincadas no papelão!!! Eba!...
Mas, nada de distração. Tenho que executar uma manobra: soltar uma pata, esticar para o alto, prender, fazer o mesmo com as outras e... cá estou, na borda da caixa, vendo um mundo muito estranho em volta. Mas, e agora? O que eu faço? Não deu tempo nem de pensar; um vacilo e, pow!, me estatelei no chão duro. Passado o susto, enchi o peito todo orgulhoso. Eu consegui!!! Mas, ao tentar dar os primeiros passos, uma mão cheia de dedos me pegou pelo cangote e acabou com minha festa ao me colocar de volta na caixa. Que raiva, viu. Tanto esforço pra nada? Ah, mas isso não vai ficar assim. Não vai, mesmo!
E não ficou. De novo lá estava eu naquele chão duro e frio, meio ofegante devido ao esforço, mas determinado a desbravar o território novo. Confesso que dê início fiquei meio aterrorizado; era tudo tão grande, tão estranho, com umas formas esquisitas. E, talvez, por isso mesmo, fascinante!
Sai caminhando de mansinho, meio me esgueirando, meio desconfiado; afinal tudo aquilo era muito novo para mim e eu não podia esquecer o meu tamanho diante daquelas coisas imensas que eu nem sabia se poderiam me atacar, ou não. Alguns passos à frente me deparei com algo macio que, mais tarde, vim a descobrir que se chama tapete.
Que gostoso que é rolar nessa coisa, tão fofinha, confortável e quentinha que lembra a mamãe... Mas por que eu fui lembrar da mamãe justo agora? Não é que ela apareceu, me pegou pelo cangote e me levou de volta para a caixa? Ah, de novo não... Mas que droga! Me conformei, afinal – devo confessar – estava cansado e o nosso ninho era o melhor lugar para uma sonequinha revigorante. O mundo podia esperar.

continua...

Comentários

  1. Valeu, Iramar. Esse Léo vai longe. É o nome do meu neto mais velho...

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    1. E vai longe mesmo, literalmente... O Léo é especial, fascinante e guerreiro... Continue acompanhando essa vida de aventuras.

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