Minha vida de aventuras
Cap. 5 - Recolhendo meus caquinhos...
Eu estava atordoado, ainda sem entender direito o que havia acontecido. Fui tomado por um medo do tamanho do mundo; um medo que eu nunca tinha experimentado. E me perguntava: por que? Que tipo de ser é esse, capaz de promover tamanha violência contra um animal indefeso? E a troco de quê? Por prazer? Pra demonstrar ‘superioridade’?... ou, pior, por pura maldade? A essa altura, nada disso importava muito; eu precisava, mesmo, era sair dali...
Não me perguntem como, mas consegui levantar e correr de volta pra casa – quer dizer eu acho que corri, mas não sei se apenas me arrastei... Foi horrível. Eu estava péssimo; sangrando e sem enxergar direito; cada ossinho do meu corpo doía, muito! Mas, pior do que toda a dor e desconforto, foi ver o desespero e as lágrimas da minha mãe. Os filhos não gostam de fazer as mães sofrerem, né?
Ela recolheu o que restava de mim... tá bom, estou sendo dramático!... e me levou imediatamente ao veterinário. Nunca pensei que diria isso, mas tudo o que eu queria naquele momento era ver o meu veterinário e aceitar – como nunca, antes – os seus cuidados. Só esperava que ele não lembrasse mais das unhadas que distribui em algumas visitas à clínica...
Quanto aos arranhões no veterinário, abro um parêntese para explicar que a culpa não era bem minha. Se tivesse garras, você faria o mesmo, tenho certeza!... Pensa bem: tiram você do conforto do seu lar, colocam numa prisãozinha ambulante, e te levam ao veterinário... Ambiente estranho, meio frio e cheio de outros bichos. O pessoal do atendimento te trata com carinho, faz cafuné, brinca... Mas, aí, aparece o veterinário... ele também se mostra amigável mas, sem muita cerimônia, te coloca numa cama meio fria, aperta a sua cara pra você abrir a boca meio à força, olha os seus dentes, a língua, a garganta; aí puxa sua orelha pra trás e examina o seu ouvido; mexe nos seus olhos, confere o tamanho das suas garras e, o pior de tudo, deita você de barriga pra cima e começa a apalpar toda a sua barriga e a examinar outras partes – aí não, né; ... me desculpem, e a minha dignidade?..., então, era nesse momento que as minhas unhinhas afiadas entravam em ação... Mas acho que ele esqueceu; eu espero porque mais do que nunca eu preciso dos seus cuidados.
E eis que me vejo frente a frente com o, agora, meu salvador. Pela cara que ele fez, percebi que a minha situação era – no mínimo – delicada... E fui tomado por aquele medo insano, de novo... Instintivamente, comecei a negociar com o Poderoso. Não dizem que nós, gatos, temos 7 vidas? Então, será que dá pra descontar uma delas do meu saldo? Por favor, eu preciso... A resposta definitiva demorou um pouco. Passei por uns momentos críticos, mas sobrevivi... Que alívio!
A coisa foi feia! Tive traumatismo craniano, quebrei a mandíbula e alguns outros ossinhos, perdi sangue, dois dentes, um olho. Mas, sobrevivi! E, a um alto custo, aprendi a lição: nem todos os humanos são confiáveis e bons.
Tive que ficar um tempão de molho, em casa, sem poder dar as minhas voltinhas. Não reclamo, não, recebi todo o carinho do mundo. Até os meus amigos do beco apareceram, na surdina, pra saber como eu estava. É nessas horas que a gente conhece os verdadeiros amigos, né?
Quando já estava bem recuperado, ganhei um olho postiço. No começo, foi meio difícil, eu ainda tinha algumas limitações... perdi um pouco da noção de espaço... mas, com o tempo fui me ‘achando’ e consegui me adaptar bem à vida com uma vista só. Isso porque eu sou ‘marrento’... Jamais me transformaria em um gato chato, dengoso e dependente. Nunca! Podem até tentar, mas eu não me deixo abater, não; ao contrário! Literalmente, né? Aliás, com força de vontade e determinação a gente consegue dar a volta por cima e superar as dificuldades. E foi o que eu fiz. Tirei de letra a minha ‘nova’ condição e segui em frente sem perder a alegria de viver e, principalmente, meu espírito aventureiro. Afinal, eu sou um gato ninja e guerreiro, portanto, não fujo da luta!
continua...
Eu estava atordoado, ainda sem entender direito o que havia acontecido. Fui tomado por um medo do tamanho do mundo; um medo que eu nunca tinha experimentado. E me perguntava: por que? Que tipo de ser é esse, capaz de promover tamanha violência contra um animal indefeso? E a troco de quê? Por prazer? Pra demonstrar ‘superioridade’?... ou, pior, por pura maldade? A essa altura, nada disso importava muito; eu precisava, mesmo, era sair dali...
Não me perguntem como, mas consegui levantar e correr de volta pra casa – quer dizer eu acho que corri, mas não sei se apenas me arrastei... Foi horrível. Eu estava péssimo; sangrando e sem enxergar direito; cada ossinho do meu corpo doía, muito! Mas, pior do que toda a dor e desconforto, foi ver o desespero e as lágrimas da minha mãe. Os filhos não gostam de fazer as mães sofrerem, né?
Ela recolheu o que restava de mim... tá bom, estou sendo dramático!... e me levou imediatamente ao veterinário. Nunca pensei que diria isso, mas tudo o que eu queria naquele momento era ver o meu veterinário e aceitar – como nunca, antes – os seus cuidados. Só esperava que ele não lembrasse mais das unhadas que distribui em algumas visitas à clínica...
Quanto aos arranhões no veterinário, abro um parêntese para explicar que a culpa não era bem minha. Se tivesse garras, você faria o mesmo, tenho certeza!... Pensa bem: tiram você do conforto do seu lar, colocam numa prisãozinha ambulante, e te levam ao veterinário... Ambiente estranho, meio frio e cheio de outros bichos. O pessoal do atendimento te trata com carinho, faz cafuné, brinca... Mas, aí, aparece o veterinário... ele também se mostra amigável mas, sem muita cerimônia, te coloca numa cama meio fria, aperta a sua cara pra você abrir a boca meio à força, olha os seus dentes, a língua, a garganta; aí puxa sua orelha pra trás e examina o seu ouvido; mexe nos seus olhos, confere o tamanho das suas garras e, o pior de tudo, deita você de barriga pra cima e começa a apalpar toda a sua barriga e a examinar outras partes – aí não, né; ... me desculpem, e a minha dignidade?..., então, era nesse momento que as minhas unhinhas afiadas entravam em ação... Mas acho que ele esqueceu; eu espero porque mais do que nunca eu preciso dos seus cuidados.
E eis que me vejo frente a frente com o, agora, meu salvador. Pela cara que ele fez, percebi que a minha situação era – no mínimo – delicada... E fui tomado por aquele medo insano, de novo... Instintivamente, comecei a negociar com o Poderoso. Não dizem que nós, gatos, temos 7 vidas? Então, será que dá pra descontar uma delas do meu saldo? Por favor, eu preciso... A resposta definitiva demorou um pouco. Passei por uns momentos críticos, mas sobrevivi... Que alívio!
A coisa foi feia! Tive traumatismo craniano, quebrei a mandíbula e alguns outros ossinhos, perdi sangue, dois dentes, um olho. Mas, sobrevivi! E, a um alto custo, aprendi a lição: nem todos os humanos são confiáveis e bons.
Tive que ficar um tempão de molho, em casa, sem poder dar as minhas voltinhas. Não reclamo, não, recebi todo o carinho do mundo. Até os meus amigos do beco apareceram, na surdina, pra saber como eu estava. É nessas horas que a gente conhece os verdadeiros amigos, né?
Quando já estava bem recuperado, ganhei um olho postiço. No começo, foi meio difícil, eu ainda tinha algumas limitações... perdi um pouco da noção de espaço... mas, com o tempo fui me ‘achando’ e consegui me adaptar bem à vida com uma vista só. Isso porque eu sou ‘marrento’... Jamais me transformaria em um gato chato, dengoso e dependente. Nunca! Podem até tentar, mas eu não me deixo abater, não; ao contrário! Literalmente, né? Aliás, com força de vontade e determinação a gente consegue dar a volta por cima e superar as dificuldades. E foi o que eu fiz. Tirei de letra a minha ‘nova’ condição e segui em frente sem perder a alegria de viver e, principalmente, meu espírito aventureiro. Afinal, eu sou um gato ninja e guerreiro, portanto, não fujo da luta!
continua...
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