Minha vida de aventuras
Cap. 2 – Sei o que não quero
As minhas tentativas de excursionar pelo mundo exterior continuaram, mas nunca consegui ir além do tapete macio. Até o dia que, como num passe de mágica, as paredes de papelão desapareceram sem que eu precisasse fazer nada para isso; talvez minha força de pensamento tenha ajudado, né. Não importa; o importante era que estávamos todos livres para explorar aquele território imenso.
Meus irmãos se sentiram um pouco intimidados, mas, com meu incentivo, logo se espalharam pela sala; cada um para um lado. Estávamos enlouquecidos de tanta alegria. Imagine a farra; éramos nove bolinhas de pelos dourados correndo, pulando, nos atracando em brincadeiras e... miando muito. Umas fofurinhas ambulantes, cheias de dengos, manhas e muito charme.
Foi um período de grandes descobertas e muuuita bagunça. Virava e mexia e um de nós estava em apuros; ou entrava em lugares minúsculos e depois não conseguia sair sozinho; ou subia às alturas sem saber como descer; ou se enroscava em fios e ficava preso. Nessas horas só havia uma saída: encher os pulmões e miar o mais alto possível e pelo tempo necessário, até a ajuda chegar. Posso afirmar para vocês que a minha primeira infância foi muito divertida.
Quando chegou a época de mudar de casa, confesso que fiquei um pouco apavorado. Algumas pessoas vinham para ver os gatinhos e, quem sabe, escolher um e levar embora quando estivéssemos totalmente desmamados. E, entre essas pessoas, tinham duas menininhas que me provocavam ataques de pânico. Elas gostavam de pegar a gente no colo e ficavam acariciando sem parar, dando beijinhos, abraçando, e acariciando de novo... blagh! Não é que eu não goste de carinho, ao contrário; mas era meloso demais! Eu imaginava um outro tipo de vida; agitada, cheia de adrenalina e aventuras. Viver no colo como um bichinho de pelúcia e, horror dos horrores, talvez com roupinha? Não mesmo. Jamais. Nunca!
O medo que eu tinha de ser escolhido pelas menininhas era tanto que comecei a me esconder. Era só perceber que estavam chegando que eu corria para os lugares mais estranhos. Quando eu não percebia a aproximação, usava outra tática: me arrepiava inteiro, entrava em posição de ataque e mostrava dentes e garras, com cara de mau. Funcionou. Elas levaram duas das minhas irmãs. Usei a mesma tática com várias outras pessoas que não se encaixavam no meu ideal de futuro pai ou mãe.
Ninguém queria muito um gatinho arisco. Só que meus irmãos, todos, foram indo embora e só eu sobrei. A casa ficou silenciosa e eu sentia falta das brincadeiras com os meus irmãos. Não podia reclamar, eu havia escolhido ficar e, por outro lado, tinha a mamãe só pra mim. E ela continuava – pacientemente – a me livrar de várias enrascadas.
Até que um dia me puseram em uma sacola e saíram de casa comigo. Eu pensei: ‘meu Deus, o que é isso? Para onde estão me levando?’ Eu miava, miava e miava; cada vez mais alto, mas nada acontecia. Meu coraçãozinho batia tão forte que eu conseguia até ouvir o toc-toc-toc acelerado. Eu estava com medo. Muito medo. O que ia acontecer? Para onde eu estou indo? Será que vão me largar em uma esquina qualquer? Por quê estão fazendo isso comigo? Socorro!!! Cadê a mamãe????
continua...
As minhas tentativas de excursionar pelo mundo exterior continuaram, mas nunca consegui ir além do tapete macio. Até o dia que, como num passe de mágica, as paredes de papelão desapareceram sem que eu precisasse fazer nada para isso; talvez minha força de pensamento tenha ajudado, né. Não importa; o importante era que estávamos todos livres para explorar aquele território imenso.
Meus irmãos se sentiram um pouco intimidados, mas, com meu incentivo, logo se espalharam pela sala; cada um para um lado. Estávamos enlouquecidos de tanta alegria. Imagine a farra; éramos nove bolinhas de pelos dourados correndo, pulando, nos atracando em brincadeiras e... miando muito. Umas fofurinhas ambulantes, cheias de dengos, manhas e muito charme.
Foi um período de grandes descobertas e muuuita bagunça. Virava e mexia e um de nós estava em apuros; ou entrava em lugares minúsculos e depois não conseguia sair sozinho; ou subia às alturas sem saber como descer; ou se enroscava em fios e ficava preso. Nessas horas só havia uma saída: encher os pulmões e miar o mais alto possível e pelo tempo necessário, até a ajuda chegar. Posso afirmar para vocês que a minha primeira infância foi muito divertida.
Quando chegou a época de mudar de casa, confesso que fiquei um pouco apavorado. Algumas pessoas vinham para ver os gatinhos e, quem sabe, escolher um e levar embora quando estivéssemos totalmente desmamados. E, entre essas pessoas, tinham duas menininhas que me provocavam ataques de pânico. Elas gostavam de pegar a gente no colo e ficavam acariciando sem parar, dando beijinhos, abraçando, e acariciando de novo... blagh! Não é que eu não goste de carinho, ao contrário; mas era meloso demais! Eu imaginava um outro tipo de vida; agitada, cheia de adrenalina e aventuras. Viver no colo como um bichinho de pelúcia e, horror dos horrores, talvez com roupinha? Não mesmo. Jamais. Nunca!
O medo que eu tinha de ser escolhido pelas menininhas era tanto que comecei a me esconder. Era só perceber que estavam chegando que eu corria para os lugares mais estranhos. Quando eu não percebia a aproximação, usava outra tática: me arrepiava inteiro, entrava em posição de ataque e mostrava dentes e garras, com cara de mau. Funcionou. Elas levaram duas das minhas irmãs. Usei a mesma tática com várias outras pessoas que não se encaixavam no meu ideal de futuro pai ou mãe.
Ninguém queria muito um gatinho arisco. Só que meus irmãos, todos, foram indo embora e só eu sobrei. A casa ficou silenciosa e eu sentia falta das brincadeiras com os meus irmãos. Não podia reclamar, eu havia escolhido ficar e, por outro lado, tinha a mamãe só pra mim. E ela continuava – pacientemente – a me livrar de várias enrascadas.
Até que um dia me puseram em uma sacola e saíram de casa comigo. Eu pensei: ‘meu Deus, o que é isso? Para onde estão me levando?’ Eu miava, miava e miava; cada vez mais alto, mas nada acontecia. Meu coraçãozinho batia tão forte que eu conseguia até ouvir o toc-toc-toc acelerado. Eu estava com medo. Muito medo. O que ia acontecer? Para onde eu estou indo? Será que vão me largar em uma esquina qualquer? Por quê estão fazendo isso comigo? Socorro!!! Cadê a mamãe????
continua...
Comentários
Postar um comentário