Minha vida de aventuras
Cap. 6 - Um sobrenome famoso
Como eu já disse, minhas limitações consequentes do acontecido não me impediram de seguir a vida como sempre quis.
Além disso, eu ganhei um charme a mais: meu olho de vidro! E, como sou forte e guerreiro, consegui me adaptar bem... E mais, ganhei um sobrenome famoso: Bowie...
Que sobrenome estranho... Bowie... Léo Bowie!... Soa bem e é até meio engraçado. Mas, de onde tiraram isso? Aí descobri que é uma referência a um grande ídolo da música pop mundial, o britânico David Bowie... que chique, né?... Mas, o que a música do tal do David tem a ver comigo? Não entendi... Foi então que fiquei sabendo que ele também tinha um olho de vidro... dizem que foi consequência de uma briga na juventude. E mesmo com um olho só ele seguiu em frente e se transformou em um dos mais importantes e influentes nomes da música internacional... e o olho postiço virou um charme a mais... Gostei. E me sinto honrado com o apelido...
Apesar dos maus momentos por que passei, não perdi totalmente a confiança nos humanos e ainda sou capaz de deixar alguns desconhecidos se aproximarem de mim, e até me tocarem... mas só se meu instinto permitir... Aprendi a dar ouvidos aos meus instintos, eles não erram!
Continuei aventureiro, mas um pouco mais precavido; nos meus passeios pela vizinhança, eu caminhava em estado de alerta, pronto pra correr se percebesse algo diferente. Os encontros com os meus amigos do beco também eram regulares, só mudei a minha rota porque nunca mais consegui passar pela calçada onde fui atacado; até sentia saudade do poodle, dos garotinhos, do rottweiller e da moça bonita que brincava comigo mas, sabe como é... gato escaldado tem medo de água fria, né?...
Em casa, nada mudou... eu era o alegre bagunceiro do pedaço; sempre divertido e carinhoso. Ah, eu também conseguia lutar MMA com o noivo da minha mãe humana... Mas – cá entre nós - eu acho que ele se cansou de apanhar de mim porque passou a frequentar academia e a levantar peso... Só que, quando vi o tamanho dos seus braços, com músculos enormes, percebi que eu não gostava mais daquela brincadeira. Não que ele fosse me machucar, é que estava ficando cada vez mais difícil vencer e, como eu não gosto de perder...
E a vida seguiu sem maiores percalços. Minha mãe casou, mudou para um apartamento e eu fui na ‘bagagem’. Tá certo que, de início, ele não me queria junto, não... Gato, em apartamento? Não vai dar certo! Mas mamis não abriu mão de mim – hehehe... e eu ganhei uma nova casa e, principalmente, um pai humano de verdade.
Estranhei um pouco meu novo lar. Não tinha quintal nem jardim; muito menos a menor possibilidade de dar umas escapadas. Em compensação era um espaço novinho para ser explorado... E foi o que fiz. Esquadrinhei cada canto daquele apartamento. Subia em todos os locais possíveis e imagináveis, entrava e saia de caixas, sacolas, armários, gavetas; bagunçava, dormia, acordava, olhava a rua através da janela, tomava meu banho de sol, dormia de novo, bagunçava mais um pouco... e ficava à espera da chegada da mamãe e do papai... Aí me divertia muito e queria estender a brincadeira até altas horas... às vezes tomava umas broncas porque era hora de dormir. Dormir? Nem pensar, eu quero é brincar...
E assim o tempo foi passando, até que percebi que alguma coisa me incomodava: eu não gostava de ficar sozinho o dia inteiro. Ser gato único, por um lado é bom porque você toda atenção e carinho só pra você... Mas, por outro lado, não tem com quem conversar, trocar ideias, fazer confidências, contar experiências, histórias... Como eu fazia com meus amigos do beco... Positivamente ser gato único é muuuiitto chato! Eu precisava dar um jeito nisso... Matutei durante dias e decidi usar uma técnica simples que se mostrou infalível...
Foi assim: quando a mamãe abria a porta eu começava o meu – por assim dizer – protesto. Eram alguns bons minutos de muita reclamação. Não adiantava me dar colo e fazer carinho, eu tinha que manifestar meu descontentamento... então eu miava, miava e miava... e miava mais um pouco... eu queria que ela entendesse que eu precisava de companhia... Não tinha arrego; eu ia reclamar até ela dar um jeito... E demorou um tempo até a reclamação contínua e intermitente surtir efeito. Aliás, quem resiste a um pedido desse lindão?
continua...
Como eu já disse, minhas limitações consequentes do acontecido não me impediram de seguir a vida como sempre quis.
Além disso, eu ganhei um charme a mais: meu olho de vidro! E, como sou forte e guerreiro, consegui me adaptar bem... E mais, ganhei um sobrenome famoso: Bowie...
Que sobrenome estranho... Bowie... Léo Bowie!... Soa bem e é até meio engraçado. Mas, de onde tiraram isso? Aí descobri que é uma referência a um grande ídolo da música pop mundial, o britânico David Bowie... que chique, né?... Mas, o que a música do tal do David tem a ver comigo? Não entendi... Foi então que fiquei sabendo que ele também tinha um olho de vidro... dizem que foi consequência de uma briga na juventude. E mesmo com um olho só ele seguiu em frente e se transformou em um dos mais importantes e influentes nomes da música internacional... e o olho postiço virou um charme a mais... Gostei. E me sinto honrado com o apelido...
Apesar dos maus momentos por que passei, não perdi totalmente a confiança nos humanos e ainda sou capaz de deixar alguns desconhecidos se aproximarem de mim, e até me tocarem... mas só se meu instinto permitir... Aprendi a dar ouvidos aos meus instintos, eles não erram!
Continuei aventureiro, mas um pouco mais precavido; nos meus passeios pela vizinhança, eu caminhava em estado de alerta, pronto pra correr se percebesse algo diferente. Os encontros com os meus amigos do beco também eram regulares, só mudei a minha rota porque nunca mais consegui passar pela calçada onde fui atacado; até sentia saudade do poodle, dos garotinhos, do rottweiller e da moça bonita que brincava comigo mas, sabe como é... gato escaldado tem medo de água fria, né?...
Em casa, nada mudou... eu era o alegre bagunceiro do pedaço; sempre divertido e carinhoso. Ah, eu também conseguia lutar MMA com o noivo da minha mãe humana... Mas – cá entre nós - eu acho que ele se cansou de apanhar de mim porque passou a frequentar academia e a levantar peso... Só que, quando vi o tamanho dos seus braços, com músculos enormes, percebi que eu não gostava mais daquela brincadeira. Não que ele fosse me machucar, é que estava ficando cada vez mais difícil vencer e, como eu não gosto de perder...
E a vida seguiu sem maiores percalços. Minha mãe casou, mudou para um apartamento e eu fui na ‘bagagem’. Tá certo que, de início, ele não me queria junto, não... Gato, em apartamento? Não vai dar certo! Mas mamis não abriu mão de mim – hehehe... e eu ganhei uma nova casa e, principalmente, um pai humano de verdade.
Estranhei um pouco meu novo lar. Não tinha quintal nem jardim; muito menos a menor possibilidade de dar umas escapadas. Em compensação era um espaço novinho para ser explorado... E foi o que fiz. Esquadrinhei cada canto daquele apartamento. Subia em todos os locais possíveis e imagináveis, entrava e saia de caixas, sacolas, armários, gavetas; bagunçava, dormia, acordava, olhava a rua através da janela, tomava meu banho de sol, dormia de novo, bagunçava mais um pouco... e ficava à espera da chegada da mamãe e do papai... Aí me divertia muito e queria estender a brincadeira até altas horas... às vezes tomava umas broncas porque era hora de dormir. Dormir? Nem pensar, eu quero é brincar...
E assim o tempo foi passando, até que percebi que alguma coisa me incomodava: eu não gostava de ficar sozinho o dia inteiro. Ser gato único, por um lado é bom porque você toda atenção e carinho só pra você... Mas, por outro lado, não tem com quem conversar, trocar ideias, fazer confidências, contar experiências, histórias... Como eu fazia com meus amigos do beco... Positivamente ser gato único é muuuiitto chato! Eu precisava dar um jeito nisso... Matutei durante dias e decidi usar uma técnica simples que se mostrou infalível...
Foi assim: quando a mamãe abria a porta eu começava o meu – por assim dizer – protesto. Eram alguns bons minutos de muita reclamação. Não adiantava me dar colo e fazer carinho, eu tinha que manifestar meu descontentamento... então eu miava, miava e miava... e miava mais um pouco... eu queria que ela entendesse que eu precisava de companhia... Não tinha arrego; eu ia reclamar até ela dar um jeito... E demorou um tempo até a reclamação contínua e intermitente surtir efeito. Aliás, quem resiste a um pedido desse lindão?
continua...
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