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Mostrando postagens de agosto, 2017

Minha vida de aventuras

Cap. 5 - Recolhendo meus caquinhos... Eu estava atordoado, ainda sem entender direito o que havia acontecido. Fui tomado por um medo do tamanho do mundo; um medo que eu nunca tinha experimentado. E me perguntava: por que? Que tipo de ser é esse, capaz de promover tamanha violência contra um animal indefeso? E a troco de quê? Por prazer? Pra demonstrar ‘superioridade’?... ou, pior, por pura maldade? A essa altura, nada disso importava muito; eu precisava, mesmo, era sair dali... Não me perguntem como, mas consegui levantar e correr de volta pra casa – quer dizer eu acho que corri, mas não sei se apenas me arrastei... Foi horrível. Eu estava péssimo; sangrando e sem enxergar direito; cada ossinho do meu corpo doía, muito! Mas, pior do que toda a dor e desconforto, foi ver o desespero e as lágrimas da minha mãe. Os filhos não gostam de fazer as mães sofrerem, né? Ela recolheu o que restava de mim... tá bom, estou sendo dramático!... e me levou imediatamente ao veterinário. Nunca pens...

Minha vida de aventuras

Cap. 4 – Um dia muito punk Minha curiosidade em conhecer a vizinhança era crescente. Eu precisava ‘expandir meus horizontes’, ver como era o mundo além da segurança da minha casa. Eu precisava criar coragem e atravessar aquele portão; afinal eu já era um ‘moço’. Na minha primeira escapada, não fui muito longe; só dei umas voltinhas pela calçada em frente de casa até a primeira esquina. Com o tempo, mais confiante, fui indo mais longe até que descobri um lugar interessante; era uma espécie de beco, que ficava escondido entre árvores imensas de uma pracinha. Muito legal aquele espaço. Cheguei de mansinho e logo me deparei com três pares de olhos verdes olhando fixo em minha direção. Não me intimidei; me aproximei mais um pouco e cumprimentei os três gatos – um preto, um cinza rajado e um branco com manchas pretas. Eles continuaram com caras de poucos amigos, me encarando e meio na defensiva. Mas, como não recuei, eles cederam, abriram a guarda e começamos a conversar. Logo de cara fui...

Minha vida de aventuras

Cap. 3 – Amor ao primeiro carinho A caminhada rumo ao desconhecido, dentro de uma sacola e sem saber o que acontecia ao meu redor, continuou por mais um bom tempo. Pensa em alguém verdadeiramente assustado – esse alguém era eu! Um gatinho muito pequeno para tentar reagir. Eu só conseguia miar... Miau, miau, miau!!! Uma agonia que parecia não ter fim. Até que paramos; chegamos a algum lugar. Congelei! O que pode acontece, agora?... Esperneei, tentando sair da sacola e miei o mais alto que eu pude. Alguém haveria de ouvir e me salvar... Foi aí que uma mão macia me tirou da sacola e me aconchegou junto ao seu coração. Eu ainda estava muito assustado e meio sem forças; por alguns minutos fiquei quietinho e de olhos bem fechados aproveitando o calor daquele colo... até que criei coragem e olhei para ela..., ela olhou para mim e... pronto: foi amor à primeira acariciada. Relaxei e ronronei baixinho demonstrando a minha felicidade. Foi assim que eu conheci a minha mãe humana – uma gata, vi...

Minha vida de aventuras

Cap. 2 – Sei o que não quero As minhas tentativas de excursionar pelo mundo exterior continuaram, mas nunca consegui ir além do tapete macio. Até o dia que, como num passe de mágica, as paredes de papelão desapareceram sem que eu precisasse fazer nada para isso; talvez minha força de pensamento tenha ajudado, né. Não importa; o importante era que estávamos todos livres para explorar aquele território imenso. Meus irmãos se sentiram um pouco intimidados, mas, com meu incentivo, logo se espalharam pela sala; cada um para um lado. Estávamos enlouquecidos de tanta alegria. Imagine a farra; éramos nove bolinhas de pelos dourados correndo, pulando, nos atracando em brincadeiras e... miando muito. Umas fofurinhas ambulantes, cheias de dengos, manhas e muito charme. Foi um período de grandes descobertas e muuuita bagunça. Virava e mexia e um de nós estava em apuros; ou entrava em lugares minúsculos e depois não conseguia sair sozinho; ou subia às alturas sem saber como descer; ou se enrosc...