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Minha vida de aventuras

Cap. 10 - Enfim Toronto! Eu estava mais tranquilo porque não existe lugar melhor no mundo do que o colinho da mamãe. É tão quentinho e aconchegante. Mas, aí eu tive que voltar para a minha caixinha porque o tal do avião ia começar a andar. Senti a movimentação e um som forte, muito alto, e, de repente... me acuda!!! Que sensação esquisita. Parece que saí do chão... meu estômago veio até a boca e voltou, e meu coraçãozinho disparou. O que acontece?... Finquei minhas patas na caixa de transporte e petrifiquei... não conseguia me mexer de tanto medo que eu estava sentindo. Minha vontade era poder gritar: - Para que eu quero descer!!! Mas, de repente, tudo voltou ao normal. Uau!.. Eu estava cansado... foram muitas emoções para um gato só... e, apesar de meio apertado na minha caixinha, consegui dormir um pouco. A viagem, para mim, até que foi tranquila. Às vezes a mamãe ou o papai me tiravam da caixa e me pegavam no colo. Mas, apesar do meu espírito aventureiro, aquilo tudo era tão dif...

Minha vida de aventuras

Cap. 9 - Rumo a um novo mundo Eu estava muito curioso com esse lugar que eu nunca nem imaginei que existisse; tão amplo, tão cheio de vai e vem. Só não entendia porque continuávamos empilhados no carrinho... eu quero sair, será que ainda demora? Aí paramos em frente a uma parede de madeira e, uma a uma, nossas caixinhas foram colocadas em cima de um balcão. A mamãe entregou um monte de papéis para uma moça e ficamos esperando. Meus irmãos de criação estavam mais calmos; eu não. Mas não deixava transparecer. A mamãe falava com a gente com carinho, mas confesso que nem ouvia direito o que ela dizia. Só pensava que não estava gostando nada desse tal de Canadá porque continuávamos presos. Olhava aquele salãozão e imaginava eu, a Penny e o Sheldon correndo por todos os lados. Tinha tanta sacola pra gente entrar, tantos lugares pra ir xeretar. Mas não, continuávamos presos! Ficamos uma eternidade naquele lugar, presos, e não acontecia nada. Será que era ali que íamos morar? Acho que não...

Minha vida de aventuras

Cap 8 – O que é esse tal de Canadá? Eu, a Penny e o Sheldon dividimos bem o mesmo espaço, sem grandes problemas. Cada um tem lá as suas manias – porque nós, gatos, assim como os humanos também temos manias – mas nada que abale a convivência pacífica. Aí, mudamos de apartamento mais uma vez. Na nova casa, houve um pequeno estresse quando disputamos – os três – o melhor lugar na janela para observar nosso autorama particular: as pistas do Minhocão. Mas, após alguma discussão – civilizada e sem garras afiadas – chegamos a um consenso e todas as tardes ocupávamos os nossos postos e ficávamos olhando os carros indo e vindo. Era divertido. E a vida seguia normalmente até o dia em que nossos pais anunciaram: '- galerinha, nós vamos mudar para o Canadá!' Ahñ... Como assim? Mudar de novo?... E o que é esse tal de Canadá? Eu sei o que é casa, quintal, jardim, rua, praça, parque, apartamento... mas Canadá?... nunca ouvi falar, nem faço a menor ideia de como seja... Eu, a Penny e o Sh...

Minha vida de aventuras

Cap. 7 – Um é pouco, dois é bom, mas três... Certo dia, ao ouvir a chave na porta da frente, comecei a preparar meu pulmãozinho para mais uma seção interminável de miados quando percebi que havia alguma coisa se mexendo no colo da mamãe. Fiquei observando, sem me aproximar, meio desconfiado. Foi quando ela disse: ‘- Olha Léo, vem conhecer a Penny, a sua nova amiguinha; ela vai morar com a gente!’... e colocou aquela gatinha, amarela como eu, no chão. Num primeiro momento eu pensei: ‘tinha que ser uma menina, e tão pequena ainda? Não dá pra brincar de luta com uma menininha’. Mas foi só um primeiro pensamento; logo me aproximei e me apaixonei pela minha irmãzinha menor. Ela era uma bolinha de pelos dourados; linda e dengosa. E eu ia cuidar dela, pra sempre. Com a chegada da Penny, nunca mais reclamei da vida, nem de solidão. Aprendemos, os dois, a respeitar o espaço do outro, brincávamos de montão, quando estávamos com vontade; tomávamos sol juntos, dividindo o mesmo parapeito da ja...

Minha vida de aventuras

Cap. 6 - Um sobrenome famoso Como eu já disse, minhas limitações consequentes do acontecido não me impediram de seguir a vida como sempre quis. Além disso, eu ganhei um charme a mais: meu olho de vidro! E, como sou forte e guerreiro, consegui me adaptar bem... E mais, ganhei um sobrenome famoso: Bowie... Que sobrenome estranho... Bowie... Léo Bowie!... Soa bem e é até meio engraçado. Mas, de onde tiraram isso? Aí descobri que é uma referência a um grande ídolo da música pop mundial, o britânico David Bowie... que chique, né?... Mas, o que a música do tal do David tem a ver comigo? Não entendi... Foi então que fiquei sabendo que ele também tinha um olho de vidro... dizem que foi consequência de uma briga na juventude. E mesmo com um olho só ele seguiu em frente e se transformou em um dos mais importantes e influentes nomes da música internacional... e o olho postiço virou um charme a mais... Gostei. E me sinto honrado com o apelido... Apesar dos maus momentos por que passei, não pe...

Minha vida de aventuras

Cap. 5 - Recolhendo meus caquinhos... Eu estava atordoado, ainda sem entender direito o que havia acontecido. Fui tomado por um medo do tamanho do mundo; um medo que eu nunca tinha experimentado. E me perguntava: por que? Que tipo de ser é esse, capaz de promover tamanha violência contra um animal indefeso? E a troco de quê? Por prazer? Pra demonstrar ‘superioridade’?... ou, pior, por pura maldade? A essa altura, nada disso importava muito; eu precisava, mesmo, era sair dali... Não me perguntem como, mas consegui levantar e correr de volta pra casa – quer dizer eu acho que corri, mas não sei se apenas me arrastei... Foi horrível. Eu estava péssimo; sangrando e sem enxergar direito; cada ossinho do meu corpo doía, muito! Mas, pior do que toda a dor e desconforto, foi ver o desespero e as lágrimas da minha mãe. Os filhos não gostam de fazer as mães sofrerem, né? Ela recolheu o que restava de mim... tá bom, estou sendo dramático!... e me levou imediatamente ao veterinário. Nunca pens...

Minha vida de aventuras

Cap. 4 – Um dia muito punk Minha curiosidade em conhecer a vizinhança era crescente. Eu precisava ‘expandir meus horizontes’, ver como era o mundo além da segurança da minha casa. Eu precisava criar coragem e atravessar aquele portão; afinal eu já era um ‘moço’. Na minha primeira escapada, não fui muito longe; só dei umas voltinhas pela calçada em frente de casa até a primeira esquina. Com o tempo, mais confiante, fui indo mais longe até que descobri um lugar interessante; era uma espécie de beco, que ficava escondido entre árvores imensas de uma pracinha. Muito legal aquele espaço. Cheguei de mansinho e logo me deparei com três pares de olhos verdes olhando fixo em minha direção. Não me intimidei; me aproximei mais um pouco e cumprimentei os três gatos – um preto, um cinza rajado e um branco com manchas pretas. Eles continuaram com caras de poucos amigos, me encarando e meio na defensiva. Mas, como não recuei, eles cederam, abriram a guarda e começamos a conversar. Logo de cara fui...