Minha vida de aventuras

Cap 8 – O que é esse tal de Canadá?

Eu, a Penny e o Sheldon dividimos bem o mesmo espaço, sem grandes problemas. Cada um tem lá as suas manias – porque nós, gatos, assim como os humanos também temos manias – mas nada que abale a convivência pacífica.
Aí, mudamos de apartamento mais uma vez. Na nova casa, houve um pequeno estresse quando disputamos – os três – o melhor lugar na janela para observar nosso autorama particular: as pistas do Minhocão. Mas, após alguma discussão – civilizada e sem garras afiadas – chegamos a um consenso e todas as tardes ocupávamos os nossos postos e ficávamos olhando os carros indo e vindo. Era divertido.
E a vida seguia normalmente até o dia em que nossos pais anunciaram: '- galerinha, nós vamos mudar para o Canadá!'
Ahñ... Como assim? Mudar de novo?... E o que é esse tal de Canadá? Eu sei o que é casa, quintal, jardim, rua, praça, parque, apartamento... mas Canadá?... nunca ouvi falar, nem faço a menor ideia de como seja... Eu, a Penny e o Sheldon ficamos encafifados... Não tínhamos a menor ideia do que estava por vir.
E foram alguns meses de incertezas e muuita curiosidade. Pra começar, tivemos – nós três – que passar pelo veterinário (de novo aquela apalpação, aqueles exames constrangedores, e o meu instinto felino falando alto e distribuindo unhadas), tirar sangue, tomar vacina. Um horror! E não teve negociação, era isso ou quarentena. Quarentena?... Que palavra assustadora...
Eu já tinha mudado de casa algumas vezes e nunca precisei passar por nada disso... Que coisa mais chata! Eu começava a desconfiar desse tal de Canadá. Mas o que importa é que, após esses momentos de ‘tortura’, ganhamos um atestado de saúde... somos saudáveis!
Estávamos ok, mas não acontecia nada. E a pergunta que sempre ficava no ar era: quando nós vamos mudar para esse tal de Canadá? Falta muito ainda? O tempo passava e a minha curiosidade só crescia. Cada vez que nossos pais entravam em casa, eu e meus irmãos de criação nos olhávamos como que querendo dizer: - será que é agora?
A expectativa e a ansiedade só diminuiram um pouco no dia que deixaram um monte de caixas em casa... Oba!... playground!... Claro que eu entrei em todas elas e, seguindo o exemplo do ‘irmão’ mais velho, a Penny e o Sheldon fizeram o mesmo – hehehe...
A mamãe e o papai começaram a guardar coisas nessas caixas, mas, se não estivessem hermeticamente fechadas... eu ia xeretar e bagunçar um pouco... Levei muita bronca, mas... é o meu instinto. Sabe como é nós, gatos, temos uma habilidade incrível para abrir lugares que agucem nossa curiosidade. Vai dizer que você nunca viu uma foto ou um vídeo de um gato abrindo armário, porta, gaveta, geladeira ou qualquer outra coisa que desperte seu interesse?.. Então, eu sou assim... E, quando me pegam no flagra, congelo a ação e faço aquela cara de quem está querendo dizer: oops! Foi mal!...
Enfim, o dia da mudança chegou. E não foi legal, não. Pra começar, tivemos que entrar nas nossas caixas de transporte – e eu DETESTO!!! Depois, nos colocaram na parte traseira de um carro, junto com um monte de bagagem... Eu estava assustado, a Penny prestes a entrar em pane e o Sheldon, totalmente descontrolado, não parava de miar. Como mais velho, apesar da apreensão normal, eu tentava acalmar os outros dois, lembrando que a mamãe e o papai estavam ali, junto com a gente. Tive que gastar muita saliva e muita psicologia para fazer aqueles dois se acalmarem.
Depois de um tempo no trânsito, a uma velocidade de tartaruga, chegamos! O local era totalmente desconhecido e bastante barulhento. Nossas caixinhas foram colocadas, uma acima da outra, em um carrinho, e desfilamos por um salão imenso, com um monte de gente andando de um lado para o outro, puxando, carregando e segurando malas... Será que isso aqui é que é o tal do Canadá?

continua...

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